terça-feira, 7 de maio de 2013

A POLÍTICA E OS EXTREMISTAS - GILMAR AGUIAR



Durante a ditadura, o estado policial brasileiro denominou de subversivo o indivíduo que conseguia burlar a vigilância truculenta das agências investigadoras e apresentava ao povo uma alternativa ao sistema.

A alta censura política conduziu alguns grupos resistentes a implantar a guerrilha urbana e campesina optando pelo confronto direto e buscando a queda do poder militar. Esses grupos extremistas buscaram apoio nos valores comunista stalinista.

Embora todos nós socialistas saibamos que o comunismo é um ideal utópico do projeto social de Marx e que o capitalismo neste projeto não está descartado, o extremista Stalin pulou todas as fases de implantação do socialismo e promoveu o comunismo à regime político, assassinando todos os fundadores do socialismo soviético e mergulhando o futuro desse sistema numa colossal ignorância social mundial, onde o comunismo até hoje é confundido com o socialismo e o socialismo é confundido como um regime político específico e não como um regime social.

Um dos maiores atos extremistas do governo brasileiro e também um dos maiores crimes da ditadura militar foi o fechamento do Congresso, através do Ato Institucional nº5 (AI-5), que selou as portas do legislativo e mergulhou nosso país numa era de sombras e assassinatos em nome do Estado.

Guardadas as proporções, agora, estamos testemunhando alguns extremistas governistas de Tamoios, incitando a população contra a casa legislativa de Cabo Frio para ver forçar a aprovação da autarquia CODESTAM que vai abrigar seus empregos. O motivo que levaram os vereadores a buscar uma independência do executivo não é nobre, mas é preciso festejar a independência de qualquer forma.

É claro que os vereadores querem apoiar o governo em troca de apoio aos seus mandatos. Isso inclui um abraço municipal aos seus cabos eleitorais e outros pedidos pessoais para o fortalecimento dos seus mandatos. Absurdo em outras democracias e rotineira na nossa, infelizmente.

Os extremistas “codestanos” teriam o direito de pedir mais decoro dos vereadores de oposição se os vereadores de situação tivessem o mesmo tratamento deles. Afinal, por qual razão um parlamentar abandonaria sua trincheira de fiscal para fazer parte do grupo da “vista grossa” de um prefeito que fortalece o mandato dos seus e patrocina um enfraquecimento dos novos aliados?

Politicamente é um suicídio abandonar a imagem de fiscalizador para ser um governista do baixo clero. Num país onde a compra de votos é institucionalizada, o desempenho do executivo e do legislativo é traduzido nessa base de relação.

Estamos assistindo os extremistas mensaleiros do Congresso Nacional quererem amordaçar o Poder Judiciário simplesmente porque não querem mais que os políticos sejam alvos de investigação pelo Ministério Público e condenados em última instância, pelo Supremo Tribunal Federal.

Como tenho dito fazer lobby para a aprovação da CODESTAM é válido, mas se elegemos fiscais na câmara ou se eles compraram o seu voto, agora o fato eleitoral está consumado. Precisamos agora exigir que eles fiscalizem. 

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