sexta-feira, 26 de abril de 2013

NINGUÉM É UMA ILHA - GILMAR AGUIAR


Todos nós, precisamos ler um dia, a obra de John Donne – NINGUÉM É UMA ILHA.
Acompanho a luta da população da área rural há anos. Faço questão de trazer para os jornais que público, seus problemas, sua cultura e suas lutas. Prometi isso ao Sr. Gilberto, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais há 6 anos e venho mantendo minha promessa. Da mesma forma venho cumprindo meu compromisso com a família Lan e a administração da Fazenda Campos Novos.
Faço isso para tentar trazer para a área urbana de Tamoios a necessidade de uma integração com a nossa macro região. Faço isso pelo fato assustador fato de saber que 99% da população urbana de Tamoios não conhece a área rural. Angelim, Pacheco, Araçá, Trimumu, Campos Novos e por aí vai...
Também não reconhecem que para o povo de Cabo Frio, Tamoios é somente uma grande área rural, no que eles estão certos já que, 90% dos quase 300 km2 de Tamoios estão localizados além das fronteiras de Florestinha e toda a história de Tamoios foi construída naquela região. Nós da área urbana não temos história na região. Somos recém-chegados e precisamos conhecer e cultuar a história de Tamoios para poder carregar o título de cidadão tamoiense.
Quando morei na Ilha do Governador, eu escrevia para o Jornal Ilha Notícias e realizei um projeto de valorização da história local. Depois de algumas semanas de pesquisa na Biblioteca regional, no bairro do Cocotá, compilei uma apostila de estudos históricos e promovi uma semana de debates no auditório da biblioteca sobre as riquezas históricas da Ilha do Governador.
Foi ali, que centenas de ilhéus souberam que a Ilha já foi Ilha dos Maracajás, pela profusão do animal na região, já foi Ilha dos Gatos, e que de lá saiu o grupo de Araribóia, o tamoio que traiu a nação dele para se aliar aos conquistadores portugueses em troca de terras. Foi lá que a República Velha, bombardeou durante três meses a população ribeirinha em Tubiacanga onde se refugiavam os revoltosos marinheiros de João Cândido, durante da Revolta da Chibata. Os moradores na época criaram fortificações contra a invasão que o governo pretendia fazer. Aqui, tenho realizado o mesmo trabalho.
Entendo os condomínios como uma necessidade tão grande quanto a área rural de inclusão e integração. E vejo isso de uma forma além. A simples pavimentação de uma estrada, ou qualquer urbanização que venha a acontecer não vão trazer os condomínios para o processo de construção da cidade de Tamoios. Os condomínios são uma cidade dentro de uma cidade e é muita ingenuidade achar que o urbanismo irá transformá-los numa economia pulsante e uma sociedade ativa e influente. É preciso integrar o condômino na paisagem tamoiense e para fazer isso é necessário que os condomínios interajam entre si e ocupem seu lugar na sociedade, produzindo lideranças, divulgando suas lutas e criando suas bibliotecas, seus parques, sua agenda cultural, suas festas, ou seja, concebendo um bairro integrado mais autônomo, além das expectativas de indivíduos políticos carreiristas.

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